EM OLYMPIA, NO DISTANTE ANO DE 1925

    Sendo uma das cidades mais novas do Estado o seu grau de progresso é verdadeiramente espantoso, chegando a causar estranheza aos proprios que a conhecem ha 22 annos; fundada em 1903, elevada a districto policial em 1907 e a de paz em 1910. O município foi creado em 1917, isto é, ha pouco mais de 7 annos e elevada a sede de comarca em 1920, no dia 9 de Fevereiro, ha 5 annos, portanto.

    A cidade conta cerca de mil casas e 7.000 habitantes; a população total do municipio é de cerca de 48.000 habitantes.

    Para darmos uma idéa bastante clara do seu movimento financeiro basta dizer que a cidade está collocada em quarto logar no Estado, com relação ao movimento bancario. Vêm nos tres primeiros, S. Paulo, Santos e Campinas; Ribeirão Preto ficou-lhe para trás no anno de 1924.

A PENETRAÇÃO NA ZONA DE OLYMPIA

    A penetração se fez desde meados do século passado (XIX), com elementos mineiros, tropeiros, que descendo o rio Grande, entraram na região pelo atual município de Guaraci. As terras, que margeiam o rio Grande, foram as primeiras a ser ocupadas por esses elementos aventureiros, às vezes foragidos da polícia.

    Tais famílias, isoladas, por uma grande distância e por uma muralha de florestas, dos centros urbanos mais próximos (Jaboticabal, Araraquara e Barretos), constituíram-se em vastas sociedades patriarcais, verdadeiras autarquias que produziam tudo para seu próprio consumo. É preciso não esquecer que seu nível de vida era muito baixo, habitando em casas de pau-a-pique, criando porcos; plantando milho e mandioca, o essencial para a subsistência.

    Já em fins do século XIX, depois que estes heroicos pioneiros haviam traçado algumas pistas que os ligavam às cidades mais próximas, para o fornecimento de mercadorias indispensáveis, como o sal ou tecidos, o povoamento se estabeleceu mais para o sul, agora com elementos vindos do nordeste do Estado (Ribeirão Preto, Sertãozinho) e regiões fronteiriças com Minas.

    Com esta penetração partida do sul, apareceram núcleos como Monte Verde, que data de 1895, São Benedito e Baguaçu, também dos últimos anos do século XIX, e Olímpia, já em princípios do século XX.

    A nova ocupação se fez toda sob o sistema de patrimônio: os proprietários de terras doavam um terreno em favor de um santo, em honra do qual se levantava logo um capela; em torno dela não tardavam a surgir as pequenas vendas e casas de moradia, que se adensavam à medida que chegavam novos elementos de fora, atraídos pela facilidade de aquisição das terras e perspectivas de riqueza, próprias de toda zona pioneira.

    Nesta fase do povoamento de Olímpia, a economia fundava-se na criação do gado e numa agricultura melhor organizada, mas sem o plantio do café, que esteve proibido até 1910.

    Três dias de viagem, a partir de Olímpia, em lombo de burro ou a cavalo, era o tempo gasto para se chegar a Jaboticabal, a verdadeira capital regional de então. Dois dias era o tempo requerido para uma viagem a Barretos, seguindo as trilhas das tropas.

    Quando o homem branco chegou à Olímpia, vindo do sul, não encontrou mais nenhuma tribo, embora fossem inúmeros os vestígios de sua existência. No local da cidade de Olímpia, havia uma enorme taba, talvez de Coroados. Acredita-se que os índios abandonaram o local, seguindo mais para o oeste, fugindo aos grandes incêndios, que castigaram a região após a forte geada de 1870.

 

DEFINIÇÃO DE SERTÃO    

    O município de Olympia está localizado a 450 quilômetros da Capital paulista e na década de 1930 situava-se no que se convencionou chamar de sertão paulista. Mas o que seria o sertão? O dicionário Aurélio fala em terreno coberto de mato, longe do litoral ou ainda, interior pouco povoado.Entretanto, para o caso específico da zona de Olympia, sertão foi a penúltima fronteira a ser desbravada e povoada no Estado de São Paulo. O desbravamento e o povoamento partiram do litoral em direção ao interior, seguindo a trilha aberta pelo café, especialmente a partir do final do século XIX. Eram, portanto, chamadas de sertão as zonas ainda pouco habitadas, de economia agrária, distantes da Capital e que começavam a se desenvolver com a chegada das estradas de ferro e que em pouco tempo demonstravam pujança econômica e despertavam o sonho de enriquecimento em muita gente.


 

 

SAUDADES DA ESTRADA DE FERRO SÃO PAULO - GOYAZ

    Pelos trilhos, a velha Maria-Fumaça transportava as pessoas, o café, a esperança, a saudade...
HISTÓRICO DA LINHA: A Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Goiaz começou a operar em 1910 ou 1911, dependendo da fonte, com a intenção de levar os trilhos até Goiás, partindo da estação de Bebedouro. As linhas também seguiriam dessa estação da Paulista até a estação de Passagem nos anos seguintes. Em 1914, a empresa faliu e em 1916 foi constituída a partir da massa falida, que continuava operando, a Cia. Ferroviária São Paulo-Goiaz. Nessa altura, a linha seguia de Passagem a Villa Olympia (Olympia), passando por Bebedouro, com um ramal saindo de Ibitiúva a Terra Roxa. Em 1927, a Paulista comprou todo o trecho entre Passagem e Bebedouro, incluindo o pequeno ramal; a CFSPG passou a operar apenas o trecho Bebedouro-Olympia, que em 1931 foi esticado até Nova Granada. A ferrovia, de bitola métrica, que deveria cruzar a fronteira próximo a Icem, na Cachoeira do Marimbondo, nunca passou de Nova Granada nem chegou a Goiás. Em 1950, a Cia. Paulista a adquiriu e a transformou no ramal de Nova Granada. Este, depois de receber pesados investimentos durante os dez anos seguintes, acabou por ter o trecho final (Olympia-Nova Granada) suprimido pela Paulista já estatal, em 1966, e em 2/1/1969, toda a linha restante também foi extinta. Os trilhos e as propriedades foram arrancados e vendidos pouco tempo depois. Dela pouca coisa restou, tendo a grande maioria das estações sido demolida.
    Restam as estações de Bebedouro, Olympia, Ribeiro dos Santos, Suinana e Nova Granada.
1911 - Inauguração do trecho de sua linha, partindo da estação de Bebedouro, na secção Rio Claro da Cia. Paulista, até a estação de Monte Verde.
1914 - Apesar da ameaça de falência da C. E. F. São Paulo - Goyaz, a linha é estendida até Villa Olympia (Olympia).
1966 - A Cia. Paulista suprime o tráfego no trecho Olympia - Nova Granada.
1969 - O trecho Bebedouro - Olympia é desativado pela Paulista.

Na Plataforma

        O caminho para a Metrópole era de trem. Pegava-se a Maria-fumaça, que vinha de Granada (fim de linha, “tierra ensangrentada”) e após duas horas de uma sacolejante viagem – café-co-leite, café-co-leite – passando por várias estações intermediárias, ao anoitecer chegava-se à cidade de baldeação (Bebedouro).

        A estação ficava do outro lado do Feze’s, na nádega de lá, perto da Praça da Aparecida. As pessoas, enquanto o trem não chegava, faziam footing na plataforma; as moças casadoiras, esperançosas, flertavam com os forasteiros: ele me piscou, quem sabe, o destino?. Nos domingos, feriados e dias santificados – de guarda – era tão concorrido, quanto o da Praça.

        Quando o trem apitava na curva; a plataforma sumia no triste olhar de despedida, virando memória; restando como um cordão umbilical, unindo o filho à Terra Natal; melancólico símbolo, da atávica vontade de um dia regressar.

        Nas tardes poeirentas e quentes, a locomotiva resfolegava, enchendo de fumaça e fuligem os carros dos passageiros. Os experientes caixeiros-viajantes, que usavam guarda-pós beges para proteger as roupas, exibiam com certa arrogância, os passes que o cobrador picotava, descontando os quilômetros a percorrer. O Bepo, nas poucas viagens que fazia, sempre estreava um guarda-pó novo.

        Em carrinhos, empurrados pelos corredores, vendiam gasosas, guaranás, da marca Paulista, para tristeza do Serrano que tentava introduzir o produto da terra naquele comércio florescente... Os refrigerantes, mesmo sem gelo, aliviavam o calor, ajudando a engolir o farnel. (Extraído do livro “Terra Natal”, de Jorge Salles, publicado em 2002)

 

    Nas imagens abaixo, cenas da ferrovia São Paulo - Goyaz. 

Pelos Trilhos

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LADRILHOS NAZISTAS

Ivair Augusto Ribeiro

O fim da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) deixou o cheiro da morte e da destruição espalhado pela Europa, mas que respingou em todo o mundo. Na Itália, mesmo a vitória significou a derrota e a humilhação do país dos césares e o sonho de reconstrução do antigo Império Romano seria revitalizado apenas em 1922 com a tomada do poder pelos fascistas de Mussolini. A Alemanha derrotada fora humilhada pelo Tratado de Versalhes (1919), abrindo caminho para a ascensão do nazismo em 1933. Neste cenário de caos, um novo acontecimento catastrófico veio se juntar: a Crise da Bolsa de Valores de Nova York (1929).

Com a crise, o mundo viveria momentos extremamente tensos, que desembocariam na Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945). Nada que esteja ruim, não pode piorar.

A década de 1930 seria um dos períodos mais conturbados da história humana; recrudescimento da descrença em valores até então solidificados, como a democracia e o liberalismo e, não obstante, intensificava-se a crença no salvacionismo de duas ideologias antagônicas: fascismo (à direita) e comunismo (à esquerda).

Diante disso, era perfeitamente compreensivo que as pessoas se dividissem entre uma e outra ideologia, que depositassem nelas suas esperanças de um mundo melhor. Até o início da Segunda Guerra, e mesmo algum tempo durante o conflito, seria, no mínimo, leviano condenar o indivíduo por nutrir simpatia pelos regimes fascistas. As notícias que chegavam da Itália e da Alemanha escancaravam a espetacular recuperação dessas nações perpetrada pelos líderes Mussolini e Hitler.  Não foi à toa que movimentos fascistas se organizaram por todo o mundo, inclusive no Brasil, onde a Ação Integralista Brasileira (1932 – 1937) de Plínio Salgado foi sua maior expressão.

As ideias fascistas penetraram os mais longínquos rincões, onde ganharam fiéis seguidores e defensores intransigentes. E o município de Olímpia, plantado no sertão paulista, não ficou de fora.

Nova “terra nostra” de milhares de italianos, entre eles o rei do Café, Geremia Lunardelli, a enorme colônia criara a Sociedade Italiana, cuja sede possuía um cine teatro, e o dopo del lavoro (depois do trabalho), ambos no centro da cidade, onde os filhos de Itália se reuniam para sessões de cinema, teatro, bailes, cerimônias, jogos de bocha e, claro, discutir os avanços obtidos pela terra natal, agora em mãos fascistas.

Era na Societá di Olimpia que os filhos de italianos entoavam a “Giovinezza” (Hino Fascista). Acalorados discursos enalteciam os feitos do Duce e embalavam os sonhos de “ritorno” à pátria amada.

Para os fascistas olimpienses, nenhuma crítica ao regime era tolerada.

Corria o ano de 1931 e o jornal “Cidade Olympia” ousou publicar artigos antifascistas. A transcrição do artigo Distinções e Responsabilidade feita do jornal “Diário de São Paulo”, cujo autor era o antifascista italiano Mario Mariani, desencadeou a ira dos fascistas locais, que partiram para a retaliação. Mariani fazia duras críticas à violência fascista e à arrogância das autoridades italianas no Brasil. O cancelamento de assinaturas e a devolução de exemplares com o texto riscado em vermelho foram atos de desagravo contra o proprietário do jornal Luiz Mori. Essa intolerância foi duramente criticada no artigo assinado por João de Olímpia intitulado Com o “Fascio”, onde censurava a demasiada expansão do fascismo no Brasil e, especialmente, em São Paulo. O texto denunciava a perseguição implacável promovida pelo “deus fascista” contra os antifascistas ou mesmo àqueles que apenas se opunham à doutrina. O autor manifestava seu temor ante a propaganda fascista que pretendia “armar sua tenda nos campos da política brasileira”. “Abominável como tudo que suprime de modo completo a liberdade”, assim o médico T. Miranda classificava a virulência dos fascistas locais. (Jornal “Cidade de Oympia”, 01/02/1931). Na sua concepção, não haveria lugar algum onde pudesse germinar outro fascismo e surgir outro Mussolini: “...Em todos os outros paízes do mundo para onde se ensaiou transplantar o fascismo, a tentativa foi coroada da mais amarga decepção.”

“Imbecis” (Jornal “Cidade de Olympia, 08/02/1931) foi o último artigo publicado contendo críticas ao fascismo. Nele, o autor denominado “Milagroso” chamava os brasileiros de imbecis por tolerar as insolências do fascismo no Brasil: “...imbecis porque levamos a sério o fascismo e os fascistas e não temos tido autoridade bastante para faze-los calar ou então mostrar-lhes  o caminho do seio de Mussolini...”. Ele fazia referência ao episódio ocorrido no ano de 1931 envolvendo o embaixador italiano no Brasil durante o embarque de aviadores da Itália, em que autoridades brasileiras foram chamadas de imbecis.

As manifestações fascistas tornaram-se comuns, não somente nos “clubes” italianos e nas colônias das fazendas de café repletas da “bonna gente”, mas também pelas páginas do principal jornal local, a “Cidade de Olympia” (1918 – final da década de 1950), notadamente a partir da organização do núcleo municipal da Ação Integralista Brasileira.

Inflamadas declarações de apreço ao fascismo surgiam constantemente nas edições do semanário: o engenheiro Leonardo Posella Segundo vislumbrava Mussolini como “uma sonda do espírito humano”; o médico Philemon Patráculo Ribeiro da Matta divisava o Duce como “o gênio que concertou a Itália e Hitler como quem estava fazendo a Alemanha voltar aos seus tempos áureos”. Aliás, Philemon fora o mais contundente defensor dos regimes fascistas e como integralista, aguardava ansioso o tempo em que Plínio Salgado, chefe do Integralismo, se tornasse o “nosso Duce, o nosso Führer”.

Mas evidentemente o leitor deve estar se perguntando: o que são, afinal, os ladrilhos nazistas?

O ano era 2001 e uma história descrita por um dos entrevistados para minha pesquisa sobre a atuação da Ação Integralista na cidade passou a atormentar-me, pois carecia de prova material. Mas o dia 31 de outubro de 2013 reservou-me uma surpresa: chegara ao fim a angustiante busca de evidências da história do que convencionei chamar de “Ladrilhos Nazistas”.

Na conversa informal com esse entrevistado (pessoa altamente confiável, mas que prefere manter-se no anonimato), Amadeu Galmacci, italiano nascido em 13 de fevereiro de 1897 e morto em 28 de fevereiro de 1982, foi descrito como notório simpatizante do fascismo e, principalmente, do nazismo, entre as décadas de 1930 e 1940. Homem que gozou de enorme prestígio e respeito desde que chegou a Olímpia no distante ano de 1918: foi vereador, presidente da Sociedade Italiana, comissário de menores, entre outros postos. Mas, inusitadamente, foi como fabricante de ladrilhos que Amadeu tornou-se protagonista dessa história densamente emblemática. A fábrica de ladrilhos hidráulicos e outros artefatos de cimento funcionou até os anos de 1940 na Rua Joaquim Miguel dos Santos, bem no centro da cidade.

Sua arraigada admiração pelo nazismo o levou a tomar uma decisão sui generis: ordenou a fabricação de ladrilhos com o símbolo da suástica nazista, com os quais revestiu a sala de sua casa situada na Rua Américo Brasiliense. Qual era a intenção de Amadeu com esse ato? Seguramente, a ideia central era exteriorizar sua admiração pelo nazismo; mesmo sem saber, Galmacci cumpria um dos preceitos nazistas: o uso da propaganda como arma de persuasão, de cooptar seguidores. Nas noites do sertão, sentado na sala de casa, Amadeu contemplava os ladrilhos que estampavam a suástica, símbolo de sua crença no salvacionismo nazista.

Guardadas as devidas proporções, o episódio olimpiense encontra analogia com o ocorrido em 1990 na Fazenda Cruzeiro do Sul, no município de Paranapanema, interior de São Paulo. Naquela ocasião, acidentalmente o proprietário José Ricardo Rosa, o Tatão, encontrou tijolos com a suástica, prova da existência de uma filosofia nazista no passado.

Quando o Brasil declarou guerra ao Eixo (1942), os ladrilhos nazistas foram retirados às pressas da sala e desapareceram, não deixando vestígios que pudessem incriminá-lo numa provável investigação. A destruição dos ladrilhos e a guerra teriam abalado à crença de Amadeu no nazismo? As atrocidades cometidas pelos nazistas puseram fim à sua admiração? Essas perguntas nos assombram, mas as respostas estão sepultadas no cemitério local.

Todavia, setenta e um anos se passaram e o improvável aconteceu: quis a história que a prova material aflorasse bem diante dos olhos deste historiador, como testemunha a posteriori de um tempo de embates ideológicos apaixonantes.

Era quinta-feira de Sol, caminhava pela região central da cidade, na direção de casa, de volta do trabalho, quando fui convidado a adentrar uma casa que outrora pertenceu ao próprio Amadeu Galmacci. Admirava a beleza do ladrilho hidráulico que cobria o chão da sala e de outros cômodos, quando fui invadido pela surpresa e a emoção do que refletia em minha retina: lá estavam os ladrilhos nazistas da história que ouvira doze anos antes, deixando-me atônito. Na pequena sala, o piso esmeradamente assentado e ainda em perfeito estado de conservação, estampando quatro suásticas caprichosamente desenhadas em cada ladrilho, revelando a paixão de um homem pela ideologia forjada por Adolf Hitler. Mais do que isso, pude sentir as vibrações fantasmagóricas reprimidas naqueles ladrilhos, despindo a crença inexpugnável no nazismo como apto a impedir o cataclismo que naquele momento histórico representariam: o comunismo, a democracia, o liberalismo e o judaísmo.

Chi sapeva Amadeu Galmacci lo descrive come un uomo semplice, ma allo stesso tempo disciplina rigida, difensore di ordine, sempre in marcia attraverso legale (Quem conheceu Amadeu Galmacci o descreve como homem simples, mas ao mesmo tempo rígido, disciplinador, defensor da ordem, sempre marchando dentro da legalidade). Nada mais natural do que sua simpatia pelo regime que tinha na ordem, na disciplina e na obediência cega algumas de suas facetas.

Os ladrilhos nazistas de Olímpia existem de fato e agora jazem no chão de uma casa simples como testemunhas de um tempo perturbador e melancólico, embalado por sonhos, manchado pelo sangue de milhões de inocentes.

Dice un proverbio molto assenato: "che la carica non fà l'uomo, ma è l'uomo che fà la carica". É giusto! (diz um provérbio conhecido: “que a acusação não faz o homem, mas o homem que faz a acusação." É justo! Amadeu Galmacci, 1934).

Referências Bibliográficas:

GALMACCI, Amadeu. Lettera Aperta. Jornal “Cidade de Olympia”, 29 de abril de 1934.

MATTA, Philemon Patráculo Ribeiro da. Como Conheci Plínio Salgado. Jornal “Cidade de OIympia”, 23 de setembro de 1934.

MELO, Alice. Entre a suástica e a palmatória. Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 8, nº 88, janeiro de 2013.

MIRANDA, T.. Carta ao Snr. Luiz Mori. Jornal “Cidade de Olympia”, 1º de fevereiro de 1931.

SEGUNDO, Leonardo Posella. Politica de mérito. Jornal “Cidade de Olympia”, 25 de junho de 1933.

Sociedade Italiana. Jornal “Cidade de Olympia”, 11 de novembro de 1934.

 

(06/11/2013)


       DO SONHO DO PETRÓLEO À REALIDADE DO THERMAS

        O Thermas dos Laranjais não existiria se no distante ano de 1958 a Petrobrás não tivesse perfurado um poço em Olympia a procura de petróleo. Quase dois mil metros de profundidade depois, a empresa desistiu da perfuração e lacrou o poço, deixando para trás apenas um sonho e água quente. Vinte e seis anos após, Benito Benatti teve a ideia de aproveitar aquela água para abastecer um clube com piscinas termais.

        Este poço localizado próximo a Rodovia Assis Chateaubriand fez parte do sonho de encontrar petróleo em grande escala no Brasil, logo após a criação da estatal Petrobrás em 1953, durante o governo de Getúlio Vargas, e o início de suas atividades no ano seguinte. A criação da Petrobrás é resultado da campanha popular que começou em 1946, com o histórico slogan "O petróleo é nosso".

        A campanha em defesa da exploração de petróleo no Brasil tinha no escritor Monteiro Lobato um defensor intransigente. Em artigo publicado no jornal “Cidade de Olympia”, Lobato afirmava a existência de petróleo no país: O petroleo, segundo os estudos de todos os geologos, existe. Mas de nós, só de nós – da nossa vontade, da nossa energia, da nossa intelligencia e esforço – depende que essas columnas maximas da riqueza moderna surjam para amparo do nosso debil edificio economico....

LEIA A ÍNTEGRA DO TEXTO CLICANDO NO ARQUIVO EM PDF.

DO SONHO DO PETRÓLEO À REALIDADE DO THERMAS.pdf (162,5 kB)

      

VOZ DO POVO

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Cajobi ameaça invadir Olympia

No tempo em que Olímpia estava literalmente inserida na penúltima fronteira do sertão paulista, eram comuns acontecimentos que amedrontavam a população, especialmente porque havia parco policiamento. Entre estes fatos, constava a invasão de bandos de bandidos que realizavam o que chamamos atualmente de arrastão. Todavia, um boato distribuído no ano de 1931 pode ser considerado emblemático deste período de pouca luz e pouca informação: o suposto plano de invadir Olímpia, depor suas autoridades e saquear a cidade, perpetrado por Cajobi e Monte Verde. O pânico tomou conta da cidade; a polícia e o Tiro de Guerra foram municiados; cidadãos conclamados a se armar para se defender. O boato partira da boca do próprio prefeito de Cajobi, Lobo Braga. Mas tudo não passou mesmo de um mero e escabroso boato. Baixe e leia o artigo em PDF sobre o caso assinado pelo Dr. T. Miranda.

Cajobi ameaça invadir Olympia.pdf (52707)

Um sonho...amarello

Através dos antigos jornais de Olímpia é possível descortinar-se parte da nossa história, tanto local como estadual, nacional e até mundial. Quem, por exemplo, imaginaria que nas páginas do jornal “Cidade de Olympia” seria prevista a guerra entre Japão e Estados Unidos? Pois o conflito fora previsto na edição do dia 14 de junho de 1931 no artigo “Um Sonho...amarello”, de autoria do Dr. T. Miranda. Nele, o japonês Hiro Fujiato revelava que o único temor do Japão era os Estados Unidos e que o Japão dominaria parte do Brasil. Baixe e leia o texto em PDF na íntegra e viva um pouco da expectativa que existia em torno da Segunda Guerra Mundial.

UM SONHO... AMARELLO.pdf (78118)

Um sonho...amarello - Parte II

Hiro Fujiato escreveria uma carta ao redator do jornal "Cidade de Olympia", publicada em 2 de agosto de 1931, explicando os acontecimentos daqueles dias no litoral paulista.

UM SONHO... AMARELLO - Parte II.pdf (76290)

 

A HISTÓRIA ATRAVÉS DOS JORNAIS

A História de Olímpia pode ser descrita em grande parte pela leitura de seus jornais do passado, particularmente dois deles: “Cidade de Olympia” e “Voz do Povo”, os mais antigos que circularam no município.

O jornal “Cidade de Olympia” foi o primeiro periódico publicado neste antigo naco do sertão paulista. Sua primeira edição data do dia 21 de janeiro de 1918, sendo seu proprietário Fidelcino Pinheiro, cujo jornal se autodenominava órgão político.

Este órgão de imprensa foi editado até o início dos anos de 1950 e seu último proprietário foi o advogado Luiz Mori Laraia.

Já o semanário “Voz do Povo” foi fundado em 1925 como órgão oficial do Partido Popular de Olímpia e teve como um de seus principais redatores o advogado Sylviano Pinto. Foi publicado, provavelmente, até os anos de 1980, inclusive com outro nome.

Neste longo período de existência, estes jornais tornaram-se o principal meio de ligação dos habitantes do sertão com o resto do país e do mundo. Uma das características dos antigos jornais das pequenas e médias cidades do Brasil era trazer uma gama variada de informações e muitas delas através de artigos escritos pelos próprios moradores, em geral intelectuais que, além da notícia, também emitiam sua opinião.

Ao pesquisar nos jornais locais, descobri fatos simplesmente extraordinários e inusitados, como os artigos assinados pelo Dr. T. Miranda descrevendo sua relação com alguns japoneses, que já previam a guerra contra os Estados Unidos nove anos antes do ataque a Pearl Habor. Ou ainda o teste japonês de torpedos humanos: estes seriam lançados com um homem o guiando na direção dos navios inimigos. E ainda a intenção de Hitler de criar uma igreja tipicamente nazista na Alemanha. Sem contar a cobertura das revoluções de 1930 e de 1932, da exploração de petróleo, das eleições locais e tantas outras.

Lamentavelmente, quase não temos acervos destes dois jornais em Olímpia. No museu há alguns cadernos do “Cidade de Olympia”, sendo que o acervo quase completo, pasmem, encontra-se em Campinas, juntamente com o acervo da “Voz do Povo”, muito bem cuidados pela filha do ex-juiz de direito Alcyr Gigliotti. Em minha casa, guardo parte da coleção do jornal “Voz do Povo” de 1925 e 1926, salva do lixo por um ex-aluno. Infelizmente, por desleixo de seu antigo proprietário, da primeira à sétima edição foram perdidos. Aliás, aproveitemos o texto desta semana para exteriorizar nossa angústia e nossa revolta com tanta História desta cidade que já foi atirada em latas de lixo, caçambas ou consumidas pelo fogo. Faço um apelo a quem possua qualquer documento histórico, jornais, livros, fotos, revistas, enfim, qualquer coisa que contribua para resgatar a História local, entre em contato comigo através dos e-mails que estão na página e faça sua doação.

 

O PRIMEIRO GRUPO ESCOLAR

O grupo escolar de Olímpia, atual E.E. D. Anita Costa, foi criado por decreto de 15 de outubro de 1919, sendo instalado pelo seu primeiro diretor, professor Rodrigo Rodrigues Rosa, em 19 de novembro do mesmo ano.

Para a instalação do grupo foram adaptados dois prédios particulares arrendados, situados à Rua Bernardino de Campos, números 86 e 88.

Durante os primeiros anos, o grupo funcionou com nove classes em apenas dois períodos. Para a regência dessas classes foram nomeados dez professores adjuntos, ficando um adido, ou seja, sem aula, por falta de alunos.

No ano de 1919, o número de matrículas atingiu 365 alunos.

Já em 1925, o Grupo Escolar de Olímpia contava com dezesseis classes e conservou este total até 1930. No ano seguinte, mais três classes suplementares foram criadas, passando a funcionar em três períodos. Esse aumento atestava o crescimento da cidade, impulsionado pela economia cafeeira.

Mesmo assim, era grande o número de crianças sem matrícula, o que provocou a necessidade de um novo aumento de classes.

O recenseamento de 1934 demonstrou a necessidade premente do aumento, pois havia um total de 1.400 crianças em idade escolar dentro do perímetro urbano da cidade.

Assim, em fevereiro de 1935 foram criadas mais três classes.

A história do segundo diretor da escola chama a atenção por alguns detalhes de sua vida pessoal.

O professor Ludgero Prestes dirigiu o estabelecimento entre 16 de novembro de 1921 e 22 de julho de 1927 e posteriormente entre 18 de fevereiro de 1928 e 25 de janeiro de 1932.

Ludgero Prestes nasceu em Canudos, no sertão da Bahia, no ano de 1892, antes mesmo da guerra que destruiu o arraial entre os anos de 1896 e 1897.

Portanto, é provável que o segundo diretor do antigo grupo escolar tenha conhecido Antônio Conselheiro e vivenciado o conflito. Ludgero não tinha sobrenome, o que foi acrescentado posteriormente.

Depois de anos funcionando precariamente, finalmente o prédio próprio, localizado na antiga Avenida XV de Novembro, foi entregue em setembro de 1940, inaugurado em primeiro de abril de 1941 e a escola passou a denominar-se “Dona Anita Costa” a partir de 1944.

 

 

UMA INVENÇÃO MARAVILHOSA

Era o dia primeiro de novembro de 1931 e a cidade se recheava de entusiasmo pela notícia de uma invenção maravilhosa. Na primeira página do jornal “Cidade de Olympia” a descrição de como Pedro e Salvador haviam desenvolvido o motor a óleo cru e álcool: COMBUSTADOR OLYMPIA.

Leia a íntegra da notícia que foi destaque naquele distante ano de 1931:

Em companhia do habil mechanico Fracacini e de um nosso colega da “Voz do Povo”, assistimos domingo passado uma experiencia do maravilhoso aparelho denominado “COMBUSTADOR OLYMPIA”, de invenção dos srs. Pedro Alves e Salvador Carnevalle, residentes nesta cidade.

O referido apparelho se adapta ao carburador de qualquer automovel, podendo assim funccionar o motor com oleo crú ou alcool.

Com qualquer desses combustíveis o automovel faz uma grande economia, gastando um litro num trafecto de oito kilometros, quando com gazolina faz apenas cinco. O funccionamento do motor é perfeito e não se percebe mau cheiro pela combustão do oleo ou do alcool.

A experiencia deu magnifico resultado. Os inventores desse grandioso apparelho, são os mesmos que inventaram o “Carburador PASC”, cuja patente não foi ainda expedida por que algumas firmas norte-americanas, interessadas no comercio da gazolina, apresentaram protestos.

Os inventores do “PASC” não desanimaram e trataram de inventar outro apparelho, com feição mais simples e menos dispendioso, decretando assim a morte da gazolina!

Desta vez os homens da terra dos dollares não poderão protestar porque não conhecem o apparelho e nem os diccionarios registram o vocabulo, que é derivado do verbo combustor.

É possível surgir ainda algum embaraço, porque os inventores do “COMBUSTADOR OLYMPIA” não têm dois ou tres WW na composição de seus nomes.

Se tal acontecer, os inventores terão que bater ás portas dos paizes visinhos que os receberão de braços abertos.

O “COMBUSTADOR OLYMPIA” vae revolucionar o mundo automobilistico com as grandes vantagens que offerece.

O nome desse grandioso apparelho foi dado pelo sr. Lindolpho Galvão, que representou esta folha na experiencia feita domingo passado.

Aos srs Pedro Alves e Salvador Carnevalle, desejamos muitas felicidades.

 

FILMOTECA DE OLYMPIA

    Ao clicar nos links abaixo, assista a vídeos que contam a História de Olympia.

    Veja imagens fantásticas das Cachoeiras do Marimbondo, no Rio Grande, feitas pelo Foto Abe, disponíveis no filme Olympia Em Preto e Branco e assista a trechos do documentário O Reinado do Café no Sertão de Olympia, que conta a trajetória do café no município.

www.youtube.com/watch?v=YKHEdAxJH-Q&feature=player_detailpage

www.youtube.com/watch?v=lGzWBYaFM1U&feature=player_detailpage

www.youtube.com/watch?v=DLg6DpavXiY&feature=player_detailpage

www.youtube.com/watch?v=MuwJ8iVviXo&feature=player_detailpage

 

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